domingo, 2 de novembro de 2014

AS CHANCHADAS DO CINEMA NACIONAL


Chanchada, em arte, é o espetáculo ou filme em que predomina um humor ingênuo, burlesco, de caráter popular. As chanchadas foram comuns no Brasil entre as décadas de 1930 e 1960.
O Começo do Cinema no Brasil e o surgimento da Chanchada A produtora carioca, Atlântida Cinematográfica, descobriu nos filmes carnavalescos um grande negócio, capaz de fazer muito sucesso entre o público brasileiro. Sem dúvida, ela foi a grande responsável pelo sucesso das chanchadas e a pioneira em adotar os temas carnavalescos em forma de musicais.

Após o esgotamento da fórmula que fazia uso de temas carnavalescos, a Atlântida passou a adotar argumentos, enredos e situações mais complexas e heterogêneas. É neste período, entre as décadas de 50 e 60, que os filmes ganham maior empatia com o público e a Atlântida vivia seu auge. O Brasil da época tinha laços de dependência com a cultura norte-americana, o que gera atitudes colonizadas dos produtores, do público e da crítica. Desta forma, as chanchadas passam a basear-se na paródia do cinema dos Estados Unidos para atrair o público.
Apesar das produções serem feitas a partir da caricatura e trejeitos norte-americanos, eram adicionados temas do cotidiano nacional, como as anedotas tipicamente cariocas e o jeito malandro de falar e se comportar do brasileiro.
O resultado obtido eram produções genuinamente brasileiras, que foram capazes de lotar as salas de cinema por um longo período.
Com a liberação dos costumes, começaram a ser produzidas no início dos anos 70 as chamadas Pornochanchadas, inspiradas em comédias italianas e filmes eróticos europeus.
O termo chanchada surgiu, para designar os filmes brasileiros nos anos 30. Várias teses de críticos como Jean Claude Bernadet, Ana Cláudia Zacco, e Guilherme Heffner, ampliam essa fase, colocando o início em 1908 - com o surgimento do primeiro filme de ficção Nhô Anastácio Chegou de Viagem - em meados de 1960, com as últimas tentativas de chanchada. Já outros consideram o movimento 'chanchada', desde 1929, com o primeiro filme falado - a comédia Acabaram-se os Otários, de Luiz de Barros - em meados de 1960, devido a incursão do Cinema Novo, e a definitiva abolição das comédias ingênuas e carnavalescas. Há ainda terceiros que apenas incluem os filmes da Atlântida, a partir do primeiro conceito ideal de chanchada, o musical Carnaval no Fogo, 1949. E o seu término, com o último musical da empresa, Garotas e Samba, 1957.
Nunca, em nenhum momento da história do cinema brasileiro, houve um sucesso popular tão grande como na época das chanchadas. Os filmes eram lançados em muitas salas simultaneamente, e as filas, imensas, faziam com que fosse preciso se chegar duas horas antes do horário da sessão. Argüi-se que o produtor (Luiz Severiano Ribeiro) era, também, o dono do maior circuito de exibição no Brasil. Em parte, há razão, mas existiam estados nos quais, a exemplo da Bahia, Severiano não tinha rede de cinemas e o sucesso se dava da mesma forma. Um verdadeiro fenômeno de bilheteria como nunca mais se repetiu. Carlos Manga diz que atualmente não é mais possível se fazer chanchadas nos moldes daquela época, porque não há mais um certo otimismo e uma certa ingenuidade. O Brasil era outro.
Ainda que tenha produzido algumas obras exemplares, o advento do Cinema Novo fez com que o público brasileiro se afastasse das salas exibidoras, somente voltando a elas com as pornochanchadas durante a ditadura militar. Mas sem a afluência que se verificava no auge da chanchada.
A Atlântida, porém, se a grande produtora das chanchadas, não foi a única. Herbert Richers, que tinha empresa produtora, tentou, em fins dos anos 50, reviver a dupla inesquecível de Oscarito e Grande Otelo, com Ankito e este último, e revelou o baiano Zé Trindade, que fez um sucesso sem precedentes em inúmeras chanchadas.

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