quarta-feira, 17 de julho de 2013

SERGE GAINSBOURG ( JE T ' AIM... MOI NON PLUS)

Quando falamos de Serge Gainsbourg, qual a primeira coisa que lhe vem à cabeça? Claro que a música-mais-conhecida-dele-nas-Américas Je T’Aime… Moi Non Plus (Eu Te Amo… Eu Também Não),que foi banida pela BBC e fez o Vaticano torcer o nariz pelo conteúdo impróprio. Apesar das polêmicas, da genialidade sem tamanho e de ter dado um senhor upgrade na música pop francesa, ele sofria uma espécie de carma, que o impediu de alcançar um patamar mais alto na música mundial: ser francês.
Os ingleses tinham uma espécie de preconceito com a música pop francesa. Não adiantava: o mercado internacional da música era dominado pelos países de língua inglesa. Beatles e Rolling Stones, por exemplo. Ainda assim, Gainsbourg influenciou inúmeros artistas ingleses e americanos como o cantor Beck e a banda britânica de música eletrônica Goldfrapp. É possível enxergar e ouvir um pouco de Gainsbourg em cada um desses artistas atuais.

O título da canção foi inspirado por algo que Salvador Dalí disse uma vez: “Picasso é espanhol – eu também. Picasso é um gênio – eu também. Picasso é um comunista – eu também não (moi non plus)”. Escrita originalmente para Brigitte Bardot, com quem teve um tórrido caso de amor no final de 1967, a canção foi gravada pelo casal num estúdio em Paris, numa sessão de duas horas, numa pequena cabine de vidro. Porém, a pedido de Bardot, a canção não foi lançada, devido ao fato do marido dela, o empresário Gunter Sachs, não ter gostado nada do que ouviu. Outras bocas disseram que a canção não foi liberada por causa dos protestos dos representantes da atriz, que ficaram preocupados com a imagem dela.


Em 1968, Gainsbourg se apaixonou por Jane Birkin, atriz inglesa 18 anos mais jovem do que ele. Aparentemente, isso não pareceu ser nenhum problema. Então, o cantor pediu para ela gravar “Je T’Aime” com ele. A melodia? Um riff de guitarra como base e um órgão hipnótico ao fundo juntamente com os gemidos orgasmáticos de Jane Birkin, num diálogo de um casal de amantes durante um encontro sexual. O chefe da gravadora hesitou em lançar, com medo de ir pra cadeia (por motivos óbvios). Ele pediu pra Serge voltar pra Londres e preparar mais dez músicas para lançar um LP. Lançado em fevereiro de 1969, o single de Je T’Aime… Moi Non Plus tinha uma capa simples com os dizeres: “Interdit aux moins de 21 ans” (Proibido para menores de 21 anos).
Era realmente possível uma música ser provocativa e, ao mesmo tempo, bela? Tá bom que era conhecida como “música de motel”, mas até aí… Ninguém na França tinha ido tão longe com uma gravação deste naipe. Ninguém havia sido tão corajoso. A imprensa especulava que o casal havia colocado um gravador debaixo da cama. Serge respondia: “Ainda bem que não, pois do contrário acho que teria sido um LP”. Convencido: sim ou com certeza? Para Jane, a sessão de gravação foi um martírio. A cabine parecia de telefone. “Antigamente, quando você ia gravar, só fazia duas gravações. Serge ficava levantando a mão – porque tinha muito medo de que eu continuasse com aqueles gemidos e sussuros dois segundos a mais do que deveria, e talvez perdesse a nota mais alta – que era muito, muito alta, uma oitava mais alta do que na gravação com Bardot”, disse ela.
Na opinião de Serge (e da maioria dos fãs), a versão com Birkin é melhor, justamente por ser técnica. Diferente da de Bardot, que  é mais sublime. “É como sexo: se você faz com ardor, você faz mal; com técnica, você faz melhor”, afirmou. A música estourou em toda a Europa, atingiu o primeiro lugar em vendas no Reino Unido, porém foi censurada na Itália, Polônia, Suécia, entre outros países. O chefe da Phonogram na Itália foi preso e excomungado. Na América do Sul, ficaram sabendo do disco pelo jornal do Vaticano.
E como ele foi reintroduzido na Itália? Às escondidas, dentro dos discos da Maria Callas, famosa cantora de ópera. Ora vejam vocês… Aos poucos, a canção foi subindo nas paradas inglesas até atingir o topo em outubro de 1969, ficando por lá durante 34 semanas. Foi o primeiro single em língua estrangeira a conseguir tal feito. Já nos Estados Unidos, o máximo que conseguiu chegar foi no 58º lugar. E só em 1986, arrependida, que Brigitte Bardot resolve lançar sua versão.

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