quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

REVISTA DO RÁDIO

A Revista do Rádio foi uma publicação, que circulou entre 1948 e 1970 (quando transformou-se na Revista do Rádio e TV), editada por Anselmo Domingos, e que retratou o período da Era do Rádio brasileira.
A publicação possuía cerca de 50 páginas; inicialmente mensal, já em 1950 tornou-se semanal, sendo a primeira do país a retratar exclusivamente as notícias do universo artístico que girava em torno da radiodifusão.
Ao todo, foram publicadas mais de mil edições da revista.
Numa pesquisa feita em 1956 pelo IBOPE, no Rio de Janeiro, a Revista do Rádio foi a segunda mais lida, ficando atrás somente de O Cruzeiro

Revista de "fofocas", tinha seu carro-chefe na seção denominada Mexericos da Candinha - onde uma personagem criada pela redação da revista colocava notas sobre a vida pessoal de artistas, muitos deles acreditando que se tratava de uma pessoal real. Além disto, possuía seções em artistas eram entrevistados, acompanhamento das radionovelas, etc.
Em geral, as notícias eram sobre a vida amorosa, rivalidades, aparências, contas bancárias e comportamentos dos famosos. Havia também interação com o público por meio de promoções e premiações aos artistas de rádio, como “Os melhores do Rádio” e o, sempre ansiado pelos fãs, concurso anual “A Rainha e o Rei do Rádio”, promovido pela Associação Brasileira de Rádio. Já em tom mais sério, o editorial, escrito por Anselmo Domingos, analisava quaisquer assuntos relativos ao rádio.


Como não podia deixar de ser, logo após a televisão aparecer no Brasil, no início dos anos 50, o rádio reconheceu a influência do novo veículo. É o que se pode constatar a partir da edição 502, de 2 de maio de 1959, quando logo abaixo do título da revista passou a figurar a frase “A primeira em rádio e televisão”. A partir da edição 532, de 28 de novembro de 1959, o próprio título da publicação passou a ser Revista do Rádio e TV, pois cresceu o número de matérias sobre televisão, publicando-se inclusive a grade de programação das emissoras.
A partir de 1955 Anselmo Domingos passou a assinar seus editoriais, que retratavam também notícias que ligavam ao mundo do rádio e suas celebridade.
Outra mudança apontada, ocorrida ao longo da década de 60, foi o espaço que as novas manifestações da música brasileira, como a bossa nova, os festivais e a jovem guarda ganharam na publicação em detrimento dos tradicionais “cantores (e cantoras) do rádio”. A revista continuava forte, mas a concorrência aumentava com o aparecimento de Radiolândia, TV-Programa, Guia de TV, Intervalo e Amiga.
A Revista do Rádio deixaria de existir em 1970, poucos meses depois da morte de seu criador. Foram vinte e dois anos de informação, histórias de astros e estrelas e construção, semana a semana, dos grandes mitos do rádio brasileiro. Aliás, nada ou quase nada se divulgava sobre artistas estrangeiros, a não ser quando vinham se apresentar no Brasil. Vinte e dois anos de criação, ainda ingênua e com pequena ambição mercantil, de uma nascente cultura de massas no Brasil, num estilo que não deixaria, no entanto, de influenciar as dezenas de publicações que viriam a ser criadas no país.

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